quarta-feira, 19 de março de 2008

???

Não sei viver com indefinições...

Muito mudou e estou vivendo da esperança de que essa mudança traga bons frutos. Aqui dentro está tudo arrasado, como se um furacão estivesse passado por aqui. Pode parecer depressivo e talvez seja isso, porque não tenho medo de expor meus sentimentos, não tenho medo de parecer inconstante, tenho que aprender a lidar com o que sinto e tentar fazer disso o meu melhor.

Tenho me sentindo constantemente mal, como se já não fizesse parte do mundo, parece que tudo a minha volta se transformou em coisas e pessoas que não conheço, de tal forma que me sinto um estranho no ninho.

Outro dia estava lendo uma matéria que dizia que a depressão já atinge aproximadamente 60% da população ativa das grandes capitais, a previsão é que essa percentagem aumente consideravelmente com o passar dos anos devido a transformação da sociedade onde a frieza impera e o capitalismo domina tudo de forma brutal.

Pode parecer bobagem mas, de repente alguém bem próximo de você, até mesmo alguém que você ame, está sendo consumido pelo mal da depressão e você simplesmente não percebe, não porque a pessoa não demonstra mudanças consideráveis de comportamento mas, pelo simples fato de que você está ocupado demais e não percebe, ou de repente por puro egoísmo barato daqueles: "minha barriga tá cheia, que se dane a sua" ou "eu realmente te amo mas será que dá pra você se virar sozinho?"...

Alguma coisa acontece comigo e estou tentando descobrir o que é, estou fazendo mudanças consideráveis na minha rotina, estou tentando me salvar. Escrever aqui é uma forma de aliviar as tensões, você sai escrevendo um monte de bobagens e algumas pessoas lêem, umas gostam outras dizem que é "depressivo", no entanto, mesmo com critica eu prefiro assim, porque não uso mascaras, porque sou igual a qualquer um, ninguém é feliz o tempo todo, mas, tem muita gente de tem medo de assumir que se sente triste, que se sente mal, ou medo ou vergonha, sei lá. Só sei que acho ridículo porque você não pode mentir para si mesmo...

É me sinto entorpecida...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Eh, vida voa

Horas antes da cirurgia da minha tia:

- Por que você está chorando?
- Não é nada, só estou triste porque você está no hospital.
- Mas você está gelada? Você está com medo que eu morra?
- Não, não. Estou gelada porque lá na sala de internação o ar condicionado estava muito forte, e você não vai morrer, nós ainda vamos dar muita risada de tudo isso. Eu amo demais você!
- Eu estou com muito medo...
- Não precisa ter medo, eu estou do seu lado, estarei sempre aqui.

No dia seguinte...

Entro no quarto e a abraço com tanta força que quase prejudico os pontos da cirurgia.

- Que bom te ver bem.
- Graças a Deus deu tudo certo, estou com um pouco de dor mas logo passa.
- É logo passa, trouxe um livro bem legal pra você se distrair.
- Oba que legal, obrigada por ter ficado comigo ontem.
- Não foi nada, estarei sempre por perto.
- Você está bem? Parece triste.
- Estou bem sim, só tive medo de te perder...

Não á dinheiro no mundo que pague uma vida, infelizmente a dureza humana ainda me atinge profundamente e acho que nunca vou me adaptar. Pensar na possibilidade de perder minha tia me deixou em profundo estado de choque, todos meus valores foram questionados e desejei profundamente estar no lugar dela. Quando alguém que amamos muito encontra-se em estado de risco, tudo se modifica... Acho que jamais serei a mesma depois dessa experiência.



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Simples assim

Já passei por aqui hoje mas, resolvi voltar. Estou achando tão interessante esse negócio de escrever no blog que dá vontade de ficar o dia inteiro escrevendo minhas bobagens, parece que alivia.

Hoje aconteceram alguns fatos interessantes, primeiro foi que fiquei duas horas tentando escrever uma carta de agradecimento aos patrocinadores do prêmio que a ONG dá. Devo ter escrito e apagado esse bendito texto mil vezes e, acreditem não terminei. Tive várias conclusões sobre esse fato, primeiro que se não consigo escrever uma carta assim devo ser mesmo muito burra, como meu blog mesmo intitula, “um desastre mental”, depois percebi que não é tão fácil assim escrever uma carta objetiva quando você quer falar de sentimentos, ora, me emocionei na entrega do prêmio, mas, os caras que deram dinheiro não estão interessados na minha emoção, por fim, descobri que lidar com empresário é um saco mesmo!

Depois fui criticada por essa postagem abaixo, disseram que sou capaz de fazer e ser o que eu quiser e não preciso ficar seguindo as regras que a sociedade nos impõe, e que na verdade valorizar uma “mesmice” que é minha me torna uma personagem e não uma verdade. Caramba, se entendi bem o “troço” , o que eu escrevo abaixo é tudo mentiroso, mas, posso dizer que tudo que escrevi é o que realmente sinto e se for mentira, já não sei mais o que sinto.

Desde de que voltei de Minas, valorizar minha “mesmice” tem sido uma coisa muito prazerosa. Não que eu não fique irritada, cansada e desanimada, ainda mais quando tenho que pegar ônibus lotado em um trânsito infernal, mas sei lá, eu to com a sensação de que a vida é tão boa, tão inesperada, e que mesmo as coisas chatas têm um propósito. Tipo trabalhar é chato. É mesmo, chato pra caramba, é claro que eu preferia gastar todo o tempo que estou trabalhando, fazendo coisas muito melhores, como por exemplo, assistir televisão o dia todo com meu namorado do lado, comendo salgadinho e falando mal de todos os programas (realmente isso é muito bom). Mas, vamos ser realistas, é o trabalho que dá dinheiro pra gente ir ao cinema, viajar, e é o que toma nosso tempo e faz com que a gente valorize ainda mais esses momentos ou um simples fim-de-semana.

Resumindo, hoje percebi que: “tudo é muito difícil antes de ser simples”.
Incrível... a primeira coisa que me perguntei hoje quando despertei foi, "como estou vivendo minha vida?", pensar nisso me deu uma super disposição, abri a janela e estava noite ainda, São Paulo já estava a todo vapor, fiquei por alguns segundos olhando a infinidade de carros passando e fatalmente tive a consciência de que eu realmente sou diferente de tudo ao meu redor.

Diferente não porque também saio pela manhã e vou trabalhar, porque também cumpro 8 horas diárias de trabalho, porque também faço 1 hora de almoço e tomo banho todos os dias, pego ônibus todos os dias, leio emails todos os dias, etc. Sou diferente porque mesmo fazendo tudo o que todos fazem eu consigo olhar o céu pela manhã e me emocionar, consigo cantar no chuveiro, consigo fazer exercícios físicos e sentir meu coração batendo mais forte, consigo me olhar no espelho e ver olhos brilhantes cheios de vida, consigo beber com meus amigos e dar muita risada e descubro que dependendo da quantidade que eu bebo eu consigo amá-los muito mais, consigo odiar meu trabalho todo começo de expediente e amá-lo o dobro no fim, consigo olhar meu namorado como se todos os dias fosse o primeiro dia e viver com ele os mais belos momentos jamais vividos nessa breve vida, isso porque não importa se você faz sempre tudo igual, o que importa mesmo é fazer as mesmas coisas pensando sempre que é a primeira e pode ser a última vez você às faz...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio...

...Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei...

...E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

Ezequiel Jorge
Administrador

Que as nossas angústias sejam sempre superadas pelo amor que sentimos, que sejamos fortes para não nos contaminarmos com a insanidade da maioria dos casais... Só depende de nós!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ela traduz o que todo mundo sente


PÁSCOA

Sempre achei muito reacionários os saudosistas.
Como uma espécie de castigo ( êta formação cristão que me persegue) me surpreendo hoje uma saudosista.
Tenho saudade de ir ao mercado e comprar leite, um simples leite de vaca, sem fortificantes, sem especialidades, sem aditivos, sem ferro, sem vitaminas e com lactose.
Tenho saudade do tempo em que comprava “modess” na farmácia e pedia constrangida ao vendedor que me devolvia um pacote enorme, já embrulhado para não chocar os pudicos ( hoje temos que comprar “absorventes” e perder longos e extenuantes minutos para saber qual é o tipo, modelo, marca e preço conveniente ao seu fluxo....
Tenho saudade de escrever cartas e não e-mails sintéticos, sem emoção e cheio de reduções lingüísticas.
Tenho saudade de mim: alegre, cheia de energia, MAGRA ( isso sim é que me dá saudade; como era fácil emagrecer....)
E tenho MUITA saudade das semanas santas que começavam na quinta feira; não tinha muito ovo de Páscoa mas almoços em família com muito bacalhau, grão de bico, brincadeiras, bandinha em torno do piano da Teresa e felicidade.
Tenho saudade de fazer e malhar Judas. Hoje nem mais traidor ele é, merecedor de tal castigo cruel .
Enfim, sou saudosista!
Na minha infância nos preparávamos para a Páscoa como para o Natal. E desejávamos aos amigos uma Páscoa Feliz.
E fico torcendo para que os meus filhos e meus sobrinhos, quando adultos, também possam sentir saudade.

Fatima Menezes
Diretora da ONG Ação Fome Zero

O dia-a-dia da Ação Fome Zero ao lado de Fatima sempre contempla grandes momentos de reflexão e aprendizado...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Já dizia o filósofo...


Questionado se, até ali, a vida havia sido boa com ele, o filósofo Jean-Paul Satre respondeu: "No todo, sim. Não tenho do que me queixar. Ela me deu o que eu queria e, ao mesmo tempo, me fez reconhecer que não era grande coisa. Mas o que se pode fazer?". E encerrou com uma grande gargalhada.